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Expandido(a) é uma adjetivação que vemos cada vez mais disseminada na arte: a expressão cinema expandido (que deu nome à obra de Gene Youngblood, datada de 1970, e que buscava precisamente reconhecer um outro território das poéticas audiovisuais, naquele momento em que o vídeo se estabelecia) é consolidada; não nos é incomum ouvir outras como pintura expandida, escultura expandida, dança expandida, dramaturgia expandida e, evidentemente, coreografia expandida: a expansão qualifica o avanço para além das bordas que distinguiam fazeres-saberes.  As artes transbordam em campo expandido; nele, operamos nossa pesquisa.

Em março de 2012, o MACBA (Museu de Arte Contemporânea de Barcelona) organizava uma conferência que tinha por título exatamente Coreografia Expandida. Situações, Movimentos, Objetos… (Expanded Choreography. Situations, Movements, Objects…) e que projetava a coreografia como “uma prática expandida, distanciando-se da pesquisa artística na direção de outros mundos”. Em sua apresentação, lemos:

 

A coreografia, hoje, está se emancipando da dança […]. Coreógrafos experimentam novos modelos de produção; formatos alternativos têm alargado consideravelmente a compreensão da coreografia social e estão mobilizando fronteiras inovadoras quanto à auto-organização, empoderamento e autonomia. (…) A coreografia precisa redefinir-se a fim de incluir artistas e outros que utilizam estratégias coreográficas sem necessariamente relacioná-las à dança.

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Proclamava-se ali uma “verdadeira revolução” na coreografia, cujo sentido se via em expansão continuada, não mais referido a uma prefiguração de movimentos de uma dança, mas uma série aberta de instanciações atravessadas por uma dimensão flagrantemente política, já que inscrita numa “sociedade em alto grau organizada em torno de movimento, da subjetividade e da troca imaterial”. Como afirma André Lepecki, “a coreografia aciona uma pluralidade de domínios virtuais diversos — sociais, políticos, econômicos, linguísticos, somáticos, raciais, estéticos, de gênero — e os entrelaça a todos no seu muito particular plano de composição, sempre à beira do sumiço e sempre criando um porvir”.

 

Em sentidos não necessariamente estranhos ao desta expansão, a palavra coreografia e suas derivações referenciam contextos os mais variados: “coreografados” — assim os descreve o diretor teatral Robert Wilson — são os movimentos e gestos dos performers numa de suas obras; concepção “coreográfica” é o que a cineasta Maya Deren diz ter utilizado em um de seus clássicos filmes, em 1946 (Ritual in Transfigured Time), prenunciando o que é hoje um truísmo entre os estudiosos da videodança: editar é coreografar; “coreografia” é como uma antropóloga nomeia o movimento do pincel que desenha as linhas caligráficas de um ideograma chinês; “coreografia” é o que fazem os movimentos das mãos do pianista, segundo um famoso musicólogo, intérprete de Haydn; “coreografia” é ao que remetem os gestos na cerimônia do chá, tal como descritos por um ocidental, estudioso do zen.

De alguma maneira, poder-se-ia dizer que algum estatuto coreográfico necessariamente emerge de qualquer instauração de relações corpo-movimento-espaço. Daí que arquitetos e urbanistas possam fazer sua a resposta do coreógrafo William Forsythe à pergunta feita pelo compositor Tom Willems sobre o que, nos ensaios, estava a fazer: “Nada, estamos apenas organizando corpos no espaço” . Interessa-nos aqui, portanto, investigar os alcances possíveis do que reconhecemos como coreográfico, os diversos modos poéticos  – e, também políticos e pedagógicos – com que os corpos em movimento grafam  o espaço que habitamos.

A pesquisa, no momento, envolve: 

 

experimentações coreográficas com câmera 360º e eventual elaboração de performances imersivas (com uso de óculos VR);

 

Investigação do “plano sequência" como elemento de linguagem marcadamente coreográfico. A pesquisa dá continuidade às investigações em videodança e à convergência de cinematografia e coreografia como poéticas de movimento;

 

Criação de um programa dedicado à improvisação e à composição coreográfica, destinado a usos artísticos e pedagógicos.

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